É NOVELA E FUTEBOL, FANATISMO E CARNAVAL
É PAISAGEM BRASILEIRA EM CAMPANHA ELEITORAL
Nos comícios eleitorais
Palanques improvisados
Caminhão no meio da rua
Com os gradis arriados
No fundo fica escuro
Na frente iluminado
Som com microfonia
Um ruído escomungado
Locutor analfabeto
Puxa-saco inveterado.
Chamando pro palanque
Eleitor mais destacado
Que fica envaidecido
Com o nome publicado
Rodeia o caminhão
E logo logo ta trepado
Cheirando poeira de bunda
De palanqueiros apalancados
É NOVELA E FUTEBOL
FANATISMO E CARNAVAL
É PAISAGEM BRASILEIRA
EM CAMPANHA ELEITORAL
Trepados no palanque
Todos os figurões
Membros de partidos
Também de associações
Qualquer um que possa
Influir nas eleições
Ta em cima do caminhão
Ganhando beliscões.
Para descanso do locutor
Vem lixo musical
Não é um lixo qualquer
É um lixo bem lixal
Do jeito que o povo gosta
De cantiga duetal
Brega bem contundente
Como castigo celestial
É NOVELA E FUTEBOL
FANATISMO E CARNAVAL
É PAISAGEM BRASILEIRA
EM CAMPANHA ELEITORAL
Com o palanque composto
É hora de chamar o home
Locutor assume o posto
Toma choque no microfone
Assim que recomeça
O foguetório logo come
Nesse momento solene
Anuncia o locutor
Aí vem o futuro prefeito
Amigo do governador
Vem nos braços do povo
Porque o povo é eleitor.
Dez homens contratados
Carregando o andor
Outros tantos dão proteção
Contra ataque de opositor
Qualquer tipo de ataque
Que haja contra o patrão
Até eventuais dedadas
Monossilábico palavrão
É NOVELA E FUTEBOL
FANATISMO E CARNAVAL
É PAISAGEM BRASILEIRA
EM CAMPANHA ELEITORAL
Em cima do palanque
Ninguém fica calado
Quanto pior é o discurso
Mais comprido e demorado
Sem pé e sem cabeça
Torto feio e aleijado
Sem ponto, sem concordância
Verbo mal conjugado
Discurso sem intróito
É discurso desintroitado
Não tendo peroração
É também desperorado
Mas tem muitos picilones
Dizeres estrangeirados
Pra dar ares de cultura
E parecer bem letrado
E quando pega embalo
É caminhão desgovernado
Sem freios serra abaixo
Com o motor apagado
É NOVELA E FUTEBOL
FANATISMO E CARNAVAL
É PAISAGEM BRASILEIRA
EM CAMPANHA ELEITORAL
Escrito por mariano às 19h28
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É CANDIDATO A PREFEITO OU É CABO ELEITORAL
É CANDIDATO A PREFEITO OU É CABO ELEITORAL
Anda a pé com sol quente
Um bando de puxa atrás
Beija menino catarrento
Distrtibui bujão de gás
Só anda sorridente
E acha isso natural
É candidato a prefeito
Ou é cabo eleitoral
Acena pra todo mundo
Se passa perto aperta a mão
Dá tapinha nas costas
Pede voto pra eleição
Se tem oportunidade
Faz piada do rival
É candidato a prefeito
Ou é cabo eleitoral
Paga pinga pra pinguço
Também a conta da luz
À missa senta na frente
No altar beija a cruz
Se só faz essas graças
Em campanha prefeital
É candidato a prefeito
Ou é cabo eleitoral
Toma café em xícara esmaltada
Bebe água em copo quebrdp
Come em lata de marmelada
Com ferrugem e fundo furado
Elogia a dona da casa
Pelo almoço especial
É candidato a prefeito
Ou é cabo eleitoral
Pega no colo menina feia
Catarrenta, suja e cagada
Mela a gravata de cocô
E diz que não é nada
Promete tudo para o bairro
E pra família em especial
É candidato a prefeito
Ou é cabo eleitoral
Dá dinheiro a eleitor pidão
Que pede a todo candidato
Vendendo voto que não tem
Achando isso um barato
Mas político não se engana
Em assunto political
Nem candidato a prefeito
Nem cabo eleitoral
Escrito por mariano às 15h47
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