Escrito por mariano às 01h00
[]
[envie esta mensagem]

AS PERNAS DA MENTIRA
Juquinha de Sá Maria
Costumam dizer que a saúde pública brasileira é muito deficiente. E a julgar pelo que nós do povão podemos ver, a afirmativa e pertinente. Mais que isso, é perfeitamente aceitável, até porque aqueles que dizem o contrário não submeteriam suas famílias ao atendimento médico oferecido pelo governo.
É preceito constitucional que a saúde é direito de todos e dever do Estado. Está escrito no artigo 196 da Constituição Federal de 5 de outubro de 1988. Mas se a todo direito corresponde uma obrigação que, no caso, é do Estado Brasileiro e ele, o Estado Brasileiro, não vem cumprindo a sua parte, o que poderá fazer o pobre que busca assistência médica e não a encontra adequadamente? Nada. Certamente não poderá fazer nada, além de recorrer à humilhação da caridade. Por isso, raros são os dias que não aparece alguém no Programa “A HORA DO POVO” pedindo algum remédio. Dias há em que são vários os pedintes.
É preciso que as autoridades do setor tomem consciência de que a saúde não comporta certos procedimentos demagógicos que não levam o administrador a bom porto e nem o povo a ver seus direitos respeitados. Há poucos dias, estava eu ouvindo “A HORA DO POVO”, coisa que faço diária e habitualmente, quando apareceu a voz convincente do então Dr. Secretário da Saúde, fazendo a apologia de sua pasta: saúde é para todos; estamos abertos 24 horas por dia para atender bem a toda a população, etc e tal. Mal e mal terminou a entrevista do Doutor, apareceu a voz de uma mulher pedindo ao Valdir Justino uma ajuda para tratar o dedo de seu filho que havia sido acidentado com um anzol e ela não conseguira atendimento no CAIS, tendo sido obrigada a procurar um médico particular que lhe custara os olhos da cara, faltando-lhe, por isso, dinheiro para o remédio.
Logo depois do apelo daquela mãe desesperada, apareceu outro doutor, o chefe do CAIS, dando várias explicações pela falta de atendimento ao garoto acidentado. Entretanto não conseguiu justificar a contradição entre a fala do secretário e a realidade do inatendimento naquele dia. Desculpas de “Joãozinho Sem Braço”
Fiquei imaginando: se é verdade que mentira tem as pernas curtas, aquela da eficiência do CAIS, atendendo 24 horas por dia, sequer tinha pernas.
Escrito por mariano às 00h52
[]
[envie esta mensagem]

|