INVERSÃO DE VALORES Marcope Do alto de minhas sete décadas de existência, tenho contemplado alguns aspectos da vida humana que, a meu sentir, merecem alguma reflexão. Um desses aspectos, a meu ver o mais relevante, é a inversão de valores no que tange à vida humana. A mim, me parece que essa desvalorização do homem seja uma visão enviesada do sistema capitalista brasileiro. Não tenho qualquer preferência por sistema econômico, mas o capitalismo praticado no Brasil é excessivamente desumano. Com efeito, se alguém entrar em um banco qualquer e, sem motivo algum, matar o gerente e fugir do flagrante, os agentes do governo abrirão um inquérito buscando apurar o fato. Se alguns dias depois o homicida se apresentar à polícia, prestará depoimento e responderá o processo em liberdade. Diferente, mas muito diferente mesmo, ocorrerá se ao invés de matar o gerente o malfeitor roubar algum dinheiro e fugir, ainda que cifra não muito significativa como, por exemplo, dois mil reais. Neste caso, as autoridades colocarão à procura do ladrão todo o efetivo policial munido de todos equipamentos de repressão disponíveis (armas pesadas, cães, helicópteros). As autoridades se revezarão diante das câmaras de televisão e dos microfones das emissoras de rádio, anunciando que o bandido possivelmente tenha se refugiado em algum lugar inacessível mas a busca continua e brevemente ele será capturado (vivo ou morto). Será isso uma nova forma de escravidão, onde o homem é o escravo e o capital, o senhor?
Escrito por mariano às 12h25
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FRAUDE CONTRA O SISTEMA FINANCEIRO Marcope Volta e meia, a imprensa está noticiando fraudes contra bancos. A mais comum é aquela praticada por meio da internet, via de regra, por jovens que agem isoladamente. Raros, porém muito mais graves, são os casos como a quebra do Banco Santos, em maio de 2003, envolvendo a elite financeira do país e causando prejuízos a meio mundo de investidores, inclusive ao TJGO; as gravíssimas fraudes envolvendo o Banco Marka, do italiano Cacciola, que em maio de 2005 foi condenado pela Justiça Brasileira a treze anos de prisão. Com ele foram condenados também o então presidente e dois diretores do Banco Central. Lembro-me, ainda, dos desvios de verba da SUDAM (Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia), que, em fevereiro de 2002, resultou na prisão do Ex-Govenrador do Pará, ex-Presidente do Senado Federal e Presidente do PMDB, Jáder Barbalho. Com ele foram presas várias outras pessoas ligadas à SUDAM. Anteriormente tinham sido presas vinte e sete pessoas envolvidas no caso. Como se vê, havendo dinheiro em jogo, prende-se até gente importante. Essa verdade me leva a uma reflexão: no segundo semestre de 2008, um boato circulou insistentemente no Estado, dando conta de uma fraude de cerca de oito milhões de reais, envolvendo o Banco Bradesco e várias pessoas que teriam se beneficiado financeiramente da “maracutaia”, entretanto nenhuma delas tão importante quanto àquelas envolvidas nos escândalos acima mencionados. A conclusão é lógica: se lá a Justiça fisgou dourados e tubarões, é fácil imaginar o que ocorrerá na terra de Anhanguera onde não se vislumbra nada acima de lambaris e tucunarés, a beliscarem a isca.
Escrito por mariano às 12h18
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ZEZÉ SPINDOLA Marcope Uruaçu despede-se do maior empreendedor de sua História: José Martins Spindola ou simplesmente Zezé Spindola, que aos noventa e sete anos parte, deixando um enorme vazio entre nós. Quando a cidade começava a engatinhar e sua população era ainda quase que exclusivamente a família dos fundadores, Zezé Spindola, genro de Adelino, este, filho do Coronel Gaspar, fundou, juntamente com o cunhado, Moacir Fernandes, a casa Vitório de Moacir e & Cia. O empreendimento visava oferecer à população local o que já era disponibilizado aos habitantes de cidades como Corumbá, Pirenópolis, Niquelândia e Goiás. Fundou, também, a Cerâmica Spindola onde eram fabricadas telhas francesas e tijolos. Iniciativa que trouxe considerável melhoraria à arquitetura local, utilizando material de boa qualidade, e abandonando gradativamente o uso de paredes de adobe e cobertura de telhas “comuns” ou coloniais. A Serraria Vitória criada por Zezé Spindola, foi outra conquista da população e mais um avanço na melhoria das edificações que daí por diante passaram a contar com madeira serrada, abolindo o velho uso de madeira roliça ou lavrada a machado. Oferecidos à cidade os instrumentos para o progresso de sua arquitetura, faltava ao povo diversão e lazer. Para isso, Zezé criou o Bar Vitória com uma moderna sorveteria em ambiente dotado de belíssima iluminação fluorescente e de ótimo Serviço de Alto Falante, a Voz de Uruaçu, de inegável utilidade para a comunicação de massa local. A voz de Uruaçu foi a maior âncora da cultura local, mormente no que tange à melhoria dos conhecimentos no âmbito da música e da arte. O Cine Vitória, foi outra opção de divertimento, de inegável utilidade cultural, trazida a Uruaçu por esse notável empreendedor. Por iniciativa sua, foi fundado o CRU – Clube Recreativo Uruaçuense, na década de cinqüenta o qual passou por sérias crises administrativas, sendo por duas vezes reestruturado e revitalizado: A primeira vez, por Walter Vitório Costa e a segunda, por Chicão, Gustavo e João Morais, sempre com a cumplicidade da sociedade local. Como o leitor pode ver, Uruaçu não seria a cidade que hoje é se não tivesse contado nos seus primeiros tempos com os empreendimentos aqui implantados por Zezé Spindola, que além de empresário dinâmico, foi o prefeito que implantou na cidade o primeiro sistema de escoamento pluvial e a primeira arborização realizada na cidade. Das árvores por ele plantadas, ainda restam, pelo menos quatro: duas na Praça da Bandeira, uma em frente ao Hotel Flamboyant e outra logo acima da Loteria Esportiva.
Escrito por mariano às 11h53
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