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MARCOPE

24/12/2009

 

            A chuvinha fina, daquelas de molhar bobo, há mais de duas semanas cai sem parar. A água corre limpa e transparente na estrada,  em frente à porta. A tarde vai caindo rapidamente e a escuridão da noite vai invadindo aos poucos a  orla da floresta, ao lado da casa. Precisa rachar lenha seca para acender o fogo amanhã cedo, pensou Conceição, e o João não chega da roça. Vai acabar adoecendo, tomando chuva no lombo o dia todo, nessa maldita capina de arroz. Para se proteger da chuva, João Tonico cobria as costas com um saco de aniagem que o protegia por alguns minutos, mas logo se encharcava e deixava de ser uma proteção para ser um estorvo.

            - Vou ver se consigo uns cavacos enxutos para a fornalha, pensou conceição em voz alta. Saiu à chuva, procurou, mas não encontro. Foi ao chiqueiro, cujo único porco fora vendido para comprar remédio, havia duas semanas, e juntou alguns sabugos de milho, meio úmidos que atiçou ao fogo. Uma fumaça forte ardeu-lhe os olhos, mas não demorou muito e a labareda apareceu, fazendo ferver o caldeirão de feijão que seria o jantar daquele dia. Para o almoço do dia seguinte teria que ir à roça, ver se as mandiocas já tinham raízes que servissem para comer. Não precisou ir ver as mandiocas. O João chegou do serviço, trazendo um punhado de quiabos, um pepino meio amadurecido e uma abóbora verde, suficientes para o almoço e que, regrando um pouco, poderia chegar para o jantar.

            Naquela noite jantaram o feijão – a última cozinhada que havia na tulha. Graças a DEUS ainda tem muito milho no paiol – uns dez jacás - e tem o pilão, onde o milho debulhado pode ser socado e transformado em fubá para fazer angu, matutou a mulher. Assim, fome, não vamos passar. Além disso, o milho na roça já tá quase granado. Daqui a uns vinte dias vamos ter um farturão de milho verde, pamonha, mingau, angu e tudo mais.

            No jantar, as crianças – um casal, Braz e Maria, de três e dois anos, respectivamente – reclamaram da falta de tempero. O sal acabara havia mais de uma semana e gordura também estava em falta.

            João, disse Conceição meio sem jeito. Amanhã vou pedir à Dona Maria um pouco de sal para temperar essas verduras. Hoje é o dia 24 de dezembro, amanhã o Braz completa três anos. Se a Dona Maria arranjar o sal, vai ser muito bom, no dia dos anos de nosso filho.

            A exceção de Dona Maria que ainda tinha um saco de sal Luzente, toda a vizinhança estava na mesma situação. Quando muito tinha feijão pagão.

            Aquela era uma família típica das centenas delas que, na década de 1940, compunham a Colônia Agrícola Nacional de Goiás, dirigida pelo Dr. Bernardo Sayão, nomeado pelo Presidente Getúlio Vargas para organizar aquela colônia como parte do programa Marcha para o Oeste.



Escrito por mariano às 13h42
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