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MARCIONÍLIO FRNCISCO MENDONÇA

um baiano porreta

 

         No transcorrer da década de cinqüenta, vindo da Colônia Agrícola Nacional de Goiás, papai rabeou seu carro de boi com nossa mudança, na Rua Coelho Neto, ao lado do campo de futebol, quase em frente à casa do Dr. José Henrique da Veiga Jardim, então Juiz de Direto da Comarca de Uruaçu.

        Dona Luci, a esposa do Juiz, tocava piano, mas lá em casa ninguém entendia aqueles sons sem sentido. Eram musicas eruditas que nada significavam para uma família que tinha nas músicas de Zé Carreiro e Carreirinho o seu ideal sonoro. No máximo, poderíamos ouvir Orlando Silva e ainda assim achar aquilo uma sengraceza danada, quanto mais ouvir os clássicos italianos, que a nossos ouvidos não passavam de sons desconexos.

        Mas papai fez amizade com várias pessoas importantes da cidade, dentre elas, Bendito Alves da Silva, Otaciano de Carvalho (Seu Dé) e Marcionílio Francisco Mendonça. 

        O Benedito tinha quatro filhos regulando com nossas idades (minha e de meus irmãos), os filhos de Seu Dé eram mais novos e Marcionílio tinha um que regulava comigo, era o Nen do Marcionílio. Tinha o Donça e o Silo que eram ainda bem pequenos. A gente sabia que ele tinha um casal de filhos que estudavam em Anápolis os quais vim a conhecer mais tarde. O Dito e a Jura.

        Marcionílio era o dono da Casa Baiana, aberta ali na esquina da Rua Jacinto da Silva Rocha com a Avenida Tocantins, cujo prédio foi demolido há poucos meses, para dar lugar a uma drogaria. Achei muito ruim essa demolição e roguei muita praga ao autor desse desserviço à história da cidade. A bela casa de residência do Marcionílio, que está bem conservada, ao lado da tal drogaria, hoje pertence à viúva daquele que empresta seu nome à rua e que tinha ligações de parentesco por afinidade com a família de Marcionílio. Certa vez a casa foi reformada ainda pelo próprio marcionílio, que mandou decorá-la com belíssimos murais encomendados a um artista que não cheguei a conhecer, mas que vi trabalhando naquelas pinturas durante muitos dias nas minhas idas à escola.

        Jacinto Silva Rocha, que entra nesta estória meio de travessa, tem uma bela passagem de vida cheia de fé e coragem que deve ser registrada, e pretendo fazer isso numa crônica dedicada exclusivamente a ele e seus quinze (?) filhos.

        A Casa Bahiana (com “h”, o dono fazia questão de que o nome fosse grafado deste jeito, assim como gostava de escrever Uruassu (com dois esses) como recomendam os filólogos - Dicionário editado pela FENAME, do Ministério da Educação – verbete “Açu”), tinha como gerente o Moacir Ribeiro, que posteriormente fez uma sociedade com Camapunzinho, fundaram uma loja em Porangatu, e lá acabou ficando rico e vindo a ser Prefeito do Município.

        Enquanto Moacir virou prefeito de Porangatu, Marcionílio também se faz prefeito de Uruaçu, numa campanha eleitoral acalorada, concorrendo com importante membro da família fundadora da cidade.

        Marcionílio prefeito, veio a hora da solidariedade. Meu irmão mais velho estava trabalhando em seu ofício de mecânico e precisou rebocar um caminhão que não pegava nem a pau. No rebocar aquela lacraia velha para oficina, atropelou uma senhora que faleceu na hora. Aí, o delegado que era do partido contrário àquele para o qual trabalhava nossa família, queria porque queria botar a mão em cima do mecânico, por pura implicação política. É filho do Juquinha, vai ser preso. “É gente do contra”. Meu irmão ficou escondido na casa de um amigo por três dias, sem jeito de se escafeder. Papai teve a idéia de pedir ao Marcionílio para tirá-lo da cidade. Porque ele sendo o Prefeito, ninguém iria vistoriar seu carro para ver quem ia lá dentro. Papai mandou-me falar com o Prefeito.

- Mariano, ocê vai falar com o Marcionílio que eu pedi para ele levar seu irmão para fora da cidade.

 Era boquinha da noite. Cheguei, bati palma, o Donça apareceu, eu lhe disse que queria falar com o pai dele. O Prefeito apareceu em alguns segundos:

- Você que quer falar comigo, você é filho do Juquinha, não?

 - Sim. Papai mandou pedir ao senhor... Ele me interrompeu.

- Já Sei. É o caso do Severino (a oficina que o Severino trabalhava era no posto do Marcionílio, por isso ele sabia de toda a estória). Você vai lá no Joaquim do Egídio, fala para ele vir aqui pegar o Jeep, abastecer, pegar o rapaz e levar onde Seu Juquinha quiser.

- Mas o papai não tem dinheiro para pagar o senhor.   

- Não tem que pagar nada. Amigo é para essas horas.

- Enfiou a mão no bolso tirou um pacote de dinheiro, sem dizer quanto era, e mandou-me entregar ao papai dizendo que era para meu irmão seguir viagem a partir de onde o Joaquim o deixasse. Quando Seu Juquinha poder, ele me paga.

Daí a uns trinta dias, papai me entregou um pacote de dinheiro mandou eu levar ao Marcionílio e perguntar quanto era o juro, porque naquele momento ele podia pagar só  o capital. O Juro ele precisava de mais um prazinho.

Não quis cobrar juros e ainda disse: fala para seu pai que se precisar pode ficar com o dinheiro por mais tempo. É só mandar você vir aqui buscar.

Preciso esclarecer a quem ler essa estória que o jeep não era da prefeitura, era particular e o Joaquim do Egídio colega de trabalho do Sivirino e amigo nosso E do Prefeito.

Para mim, isso significa SOLIDARIEDADE, algo difícil de ver nos dias de hoje.

 

Uçu, 12/03/2011

Marcope

 



Escrito por mariano às 16h14
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