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POMARES DE SANTANA

POMARES DE SANTANA

 

 

                As casas de Santana escondiam lá no fundo enormes quintais, cujos muros, tal qual os de Pouso Alto, imortalizados na poesia de Ney Teles de Paula, eram altos e intransponíveis para o menino que com os olhos da gulodice via atrás deles muitos pés de laranja carregadinhos de frutas docinhas como mel. Goiabas vermelhas, jabuticabas que de tão pretas chegavam a alumiar, laranjas amarelinhas e cheias de caldo, tudo escondido atrás daquelas fortalezas de adobes e trepadeiras. E as mangas. Essas podiam ser vistas nas gripas das majestosas árvores, balançando, açoitadas pelos ventos leves das tardes quentes da Avenida Araguaia, onde os quintais nasciam ali na porta da cozinha e se estendiam até o bosque. Lá, à sombra das fruteiras, essas protegidas dos olhares curiosos e cheios de apetite, brincavam outros meninos. Meninos escritores; meninos poetas; meninos professores; meninos magistrados, todos sempre vigiados pela austeridade da dona-de-casa intransigente, a exigir-lhes comportamento exemplar, espelhado na promotoria.

         Ah!... Como seria bom saltar aqueles muros, trepar nos pés de laranja, fartar-se nos pés de jabuticaba, lambuzar no caldo das mangas maduras; mas os muros são altos, resistentes e intransponíveis. Impossível.

         Mas o menino solitário, com os olhos cansados de tanto fitar o muro-mudo,  no silêncio de seus sonhos, descobre como desvendar o segredo de detrás dos muros, dos altos muros dos quintais de Santana.

         Ao pensar na solução imaginada, uma dor mista de friagem invade-lhe a sola dos pés. O menino descobre que sofre de um mal estranho. Tem horror a altura.  Isso entretanto não o impede de  levar avante sua experiência. Precisa vencer a persistência daqueles muros. Se não pode ultrapassá-los ou ver através deles, haverá de ver por cima deles.

         Na sua escalada contra o medo da altura, a cada centímetro que sobe um mundo nunca revelado a seus olhos infantis: aqui, um homem visto de cima para baixo, quase que totalmente encoberto pela aba do chapéu; ali, um pouco mais além, várias galinha que mais parecem pintinho;  como é que tudo fica diferente visto de cima, pensa o menino. Santana toma a cor avermelhada dos telhados. Ao lado das casas, agora em forma de pirâmide, os pomares. Que decepção. As fruteiras são raras, e sequer tem frutas. Apenas alguns pés de mangas exibem seus frutos vermelhos, assim mesmo são mangas comuns, pouco apreciadas.  Laranja... Jabuticaba, objeto principal dos sonhos do menino, dessas, nem notícia, apenas as árvores despidas de folhas.

         Mas valeu a pena. De repente

         “A intimidade dos quintais antigos,

Bruscamente penetrada,

Fascinava a contemplação”

O leve toque do sino, acidentalmente acionado, espantou o horror das alturas e o menino voltou ao chão para continuar sonhando com as frutas escondidas pelos muros de Santana, velhos e intransponíveis como aqueles de Pouso Alto.

Mariano C. Peres

Uruaçu, 13/10/2012

 



Escrito por mariano às 08h54
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